A menor distância entre dois pontos

 partula de nada

caminante, no hay camino, se hace camino al andar
(Antonio Machado)

Gosto de caminhar (e de correr!). Vou pensando na vida, curtindo a paisagem. Gosto de ser levado pelos meus pensamentos e minhas pernas… Mas percebo que a maior parte do tempo somos levados pelas pernas e caminhos dos outros. Em geral, isto não dá certo. Como o caminho não é nosso, acabamos embolando as pernas e tropeçando.

Como fizeram a Varig e a TAM. Quando a Gol surgiu, tinha apenas um tipo de aeronave (que reduzia drasticamente os custos de manutenção); tirou os aparelhos que aqueciam as refeições (que ela parou de oferecer), colocando no lugar mais uma fileira de cadeiras; e acabou com todas as lojas fora dos aeroportos (só vendia pela internet). Uma estratégia clara de redução de custos e de preços em detrimento da qualidade dos serviços. E o que fizeram a Varig e TAM? Tentaram seguir a concorrente. Mas não conseguiam ter custos menores. Reduziram o serviço (passaram a oferecer amendoim e água…) por um preço um pouco acima da concorrente. Perderam mercado e clientes. O caminho da GOL não era o caminho da Varig e da TAM.

Seguir um caminho aberto por outros tem suas vantagens. Não precisamos pensar muito, o esforço é menor, o rumo já está traçado. A desvantagem é que estaremos sempre atrás de alguém. Seguir o caminho traçado pelos outros (e bons, eventualmente, para eles) pode nos fazer ficar perdidos… de nós mesmos.

Encontrar nossos caminhos não é facil, mas estou convencido que esta busca é essencial. Uma dos maiores equívocos que percebo neste processo é o de achar que o menor caminho entre dois pontos é a linha reta. Traçar uma linha reta pressupõe que sabemos exatamente onde queremos chegar e isto é raramente o caso. Temos uma ideia, um desejo, mas o caminho até lá é, quase sempre, tortuoso. Precisamos nos desviar de obstáculos que não sabíamos que estavam lá, precisamos ajustar com frequência nosso rumo e, muitas vezes, revemos nossos próprios desejos. Na verdade, como diria o poeta, o caminho se faz ao andar…

A melhor forma de ter certeza de que estamos no caminho certo é buscar nossos sonhos e desejos E interagirmos com as pessoas certas. Dificilmente nossos sonhos e desejos dependem apenas de nós para serem atingidos. Precisamos dos outros. De alguma forma, dependemos dos outros. Existe uma interdependência em tudo o que fazemos.

Se tudo isto faz algum sentido, precisamos rever nossa ideia da menor distância entre dois pontos.  A menor distância entre dois pontos é a REDE! Quem vai chegar mais rápido é aquele que souber construir a melhor rede. E só vamos construir esta rede se todos compartilharem, minimamente, os sonhos e desejos. Como diria o mestre Raul Seixas, “sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só. Sonho que se sonha junto é realidade”…

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