Por que educar as mulheres?

Conheça o verdadeiro motivo da importância da educação das mulheres

Muitos ( e muitas!!) ainda pensam que é uma questão de feminismo, de movimento contra os homens, de coisa de mulher que não tem nada para fazer ou é má amada. Vamos ver algumas respostas internacionais:

“Se  tomarmos mil garotas na África e lhe dermos um ano e meio mais de educação primária, elas  terão quinhentas crianças a menos. A ligação entre educação e o tamanho das famílias já foi comprovada inúmeras vezes. Formar uma garota na África no nível primário custa cerda de 35 dólares por ano  – não há melhor destino para 35 dólares em qualquer outra parte do mundo.”

Andrew Steer, Banco Mundial – IN: Missão Terra – O resgate do planeta. Agenda 21 feita por crianças e jovens. Ed. Melhoramentos

Do Rio a Johanesburgo – O Que é Bom para as Mulheres é Bom para o Mundo

WWI – Worldwatch Institute – Retirado de

http://www.wwiuma.org.br/riodez_mulher.htm

 

O WWI lançou uma série de Boletins Temáticos da Cúpula Mundial (Rio+10). Escritos pela equipe de pesquisadores do Instituto, os boletins enfocam as questões ambientais e de desenvolvimento sustentável que embasaram a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável em Johanesburgo, África do Sul.

Do Rio à Joanesburgo: O que é Bom para as Mulheres é Bom para o Mundo, é o quarto de uma série de boletins temáticos do WWI-UMA escrito pela pesquisadora Danielle Nierenberg. A série de Boletins Temáticos da Cúpula Mundial dá destaque e faz recomendações sobre as principais questões ambientais e de desenvolvimento sustentável que embasarão a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, este ano.

O WWI está enfocando a agenda da Rio+10 como tema do seu relatório Estado do Mundo 2002. Leia o prefácio de Kofi Anan, Secretário-Geral da ONU e Prêmio Nobel da Paz.

Do Rio a Joanesburgo:
O Que é Bom para as Mulheres é Bom para o Mundo

por Danielle Nierenberg

Durante a década de 90, várias das principais conferências das Nações Unidas ressaltaram a importância da inclusão das mulheres no desenvolvimento sustentável. Mas, apesar dos compromissos no papel, houve muito pouca ação. A igualdade real e significativa entre mulheres e homens exigirá muito mais do que a inserção de um parágrafo aqui ou ali nos documentos emitidos numa convenção das Nações Unidas ou em leis nacionais. A miopia de gênero – ou cegueira às questões femininas – ainda distorce as políticas ambientais, econômicas e da saúde. Hoje, uma década após a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, Brasil, governos, agências de desenvolvimento e até mesmo algumas ONGs continuam firmemente patriarcais. Apesar da crença generalizada que as mulheres “avançaram muito” na conquista da melhoria social e econômica, continuam a enfrentar muitos dos mesmos obstáculos de uma década atrás. E em alguns casos, estes problemas se tornaram ainda mais intimidantes.

Na Rio-92, as mulheres se uniram como nunca e apresentaram uma visão de um mundo onde todas as mulheres seriam instruídas, livres de violência e capazes de fazer suas próprias escolhas reprodutivas. Como conseqüência dessa mobilização, a Declaração do Rio e a Agenda 21 determinaram a participação plena das mulheres no desenvolvimento sustentável e a melhoria de sua situação em todos os níveis da sociedade.

O trabalho que começou na Conferência de 92 não terminou no Rio. Devido aos esforços das ONGs femininas lá, a saúde e os direitos humanos das mulheres foram incluídos na agenda internacional. A Agenda 21 do Rio abriu caminho para a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD) no Cairo, Egito, em 1994. O Programa de Ação do Cairo reafirmou os direitos das mulheres e sua participação eqüitativa em todas as esferas da sociedade, como pré-requisito para a melhoria do desenvolvimento humano.

As declarações e promessas feitas nessas conferências foram os primeiros passos significativos para a melhoria de vida das mulheres, porém ainda resta muito a fazer. Consideremos a estatística abaixo, divulgada pelas Nações Unidas e outras organizações ambientais e de saúde:

· Mais de 350 milhões de mulheres em todo o mundo não dispõem de acesso a serviços de planejamento familiar.

· Mais de 500.000 mulheres morrem, anualmente, de complicações durante a gravidez e o parto.

· O crescimento populacional ainda está acelerado nas 48 nações menos desenvolvidas – aproximadamente 80 milhões de pessoas são adicionadas ao planeta, anualmente. Muitas delas nascem em locais onde a falta de infra-estrutura e serviços públicos limita o tempo de vida tanto de jovens quanto de idosos.

· A maior geração de jovens da história da humanidade – 1,7 bilhões de pessoas entre 10 e 24 anos – está prestes a entrar em seu período reprodutivo. A onda jovem ocorre ao mesmo tempo em que o financiamento internacional para planejamento familiar e contraceptivos, especialmente dos Estados Unidos, foi abolido. Conseqüentemente, muitos dos jovens ficam privados de orientação e dos mecanismos para se protegerem de gravidezes indesejadas, relacionamentos violentos e doenças sexualmente transmissíveis.

· Em quase todo o mundo em desenvolvimento, a maioria das novas infecções de HIV/AIDS ocorre em jovens, sendo as mulheres as mais particularmente vulneráveis. Na África sub-saariana, onde a AIDS se dissemina mais rapidamente do que em qualquer outro local do planeta, as mulheres representam 55 porcento de todos os novos casos de HIV. A maioria delas não tem autonomia sexual para recusar o sexo ou exigir que seus “parceiros” utilizem preservativos.

· A violência de gênero assume várias formas e aflige moças e mulheres durante toda a vida. Mundialmente, uma em cada três mulheres é agredida, forçada ao sexo ou sujeita a abusos durante sua existência. Na China e na Índia, cerca de 60 milhões de moças são consideradas “desaparecidas” devido a abortos sexo-seletivos, infanticídio feminino e desprezo. Mais de 2 milhões de mulheres são submetidas a mutilação genital, anualmente, levando a uma vida de sofrimento e trauma psicológico.

· Apesar dos avanços da educação, tanto para meninas e meninos, dois terços dos 876 milhões de analfabetos no mundo são mulheres. Em 22 países africanos e 9 asiáticos, a matrícula feminina é inferior a 80 porcento da masculina, e apenas cerca de metade das moças nos países menos desenvolvidos continua na escola após a 4a série.

· Em grande parte do mundo, lares de mães solteiras abrigam um número desproporcional de crianças pobres.

· Globalmente, as mulheres ganham, em média, dois terços a três quartos da remuneração masculina para o mesmo trabalho. Além disto, as mulheres desempenham a maior parte do trabalho invisível – mantendo a casa, cozinhando, recolhendo lenha e água, cuidando dos filhos, jardinando – que sustenta o ambiente doméstico. A maioria da contabilidade econômica oficial não prevê o valor do trabalho invisível. Se fosse “contabilizado” seria avaliado em cerca de um terço da produção econômica mundial.

· As mulheres estão enormemente sub-representadas em todos os níveis de governo e em instituições internacionais. Em 2000, as mulheres detinham apenas 14 porcento de participação nos parlamentos mundiais. Nas Nações Unidas, as mulheres compunham apenas 21 porcento da alta administração, em 1999.

A Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, na África do Sul, é uma oportunidade para os líderes mundiais eliminarem essas desigualdades, reconhecendo que o que é bom para as mulheres é bom para o mundo. Além de incrementar os direitos humanos, a melhoria de vida das mulheres inclui uma vasta gama de benefícios colaterais – desde menor crescimento populacional e diminuição da taxa de mortalidade infantil, até melhor gestão de recursos naturais e economias mais saudáveis. Para que ocorram mudanças efetivas de gênero e população, as nações deveriam adotar as seguintes medidas:

· Cumprir ou vencer as metas estabelecidas em Cairo e remover as barreiras ao tratamento da saúde reprodutiva e abrangente, em nível nacional. No Cairo, os países concordaram em gastar US$ 17 bilhões anuais (em dólares de 1993) até 2000 para fornecer acesso universal aos serviços básicos de saúde reprodutiva a todos, até 2015. Ironicamente, as nações mais pobres do mundo estão mais próximas de atingir as metas do Cairo do que os países mais ricos – despendendo quase 70 porcento do seu compromisso. As nações ricas, por outro lado, não atingiram nem 40 porcento do seu compromisso do Cairo.

· Agir junto aos Estados Unidos para remover as barreiras ao financiamento internacional para planejamento familiar. A lei da mordaça global que proíbe o financiamento dos Estados Unidos a agências internacionais que simplesmente mencionem o aborto a seus clientes, deve ser sumariamente abolida pelo Presidente Bush. O governo também deve cumprir sua promessa de US$ 34 milhões para o Fundo de População das Nações Unidas.

· Aumentar o número de mulheres na administração pública. A WEDO [Organização Feminina para o Meio Ambiente e Desenvolvimento] e outros grupos reclamam uma representatividade 50/50 em todos os níveis – desde conselhos de vilarejos até o mais alto escalão dos parlamentos nacionais. Na África do Sul – onde foi estabelecido um sistema de cotas em 2000 – as mulheres estão gradativamente conquistando assentos na Assembléia Nacional detendo, hoje, 8 das 29 cadeiras.

· Remover obstáculos que impedem a matrícula e acesso de meninas às escolas.

Estudo após estudo revela que moças com maior grau de instrução não apenas têm menos filhos, mas também mais saúde para si e seus filhos. No Egito, apenas 5 porcento das mulheres que permaneceram além do primário tinham filhos ainda na adolescência, enquanto mais da metade das mulheres sem instrução se tornaram mães nessa idade.

· Educar homens e meninos sobre a importância da igualdade de gênero e compartilhamento de responsabilidades.

Estereótipos e expectativas culturais sobre a masculinidade impedem muitos homens de assumir responsabilidade pela saúde reprodutiva e pelos cuidados com as crianças. Alguns se sentem ameaçados pela independência das mulheres e expressam sua macheza pela violência ou pela retenção da renda familiar. À medida que mudam os papéis dos homens, o esforço para incluí-los no planejamento familiar e saúde reprodutiva está adquirindo ímpeto. Na Nicarágua, workshops para desaprender o machismo e melhorar as técnicas de comunicação resultaram em menos violência doméstica. E em Máli, voluntários masculinos foram treinados para prestar informação sobre saúde reprodutiva e planejamento familiar, e distribuir preservativos.

· Aumentar a conscientização dos jovens sobre questões de saúde reprodutiva, inclusive HIV/AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis.

Em países como Uganda e Senegal, o compromisso governamental à educação sobre AIDS, tanto em nível nacional quanto local, ajudou a controlar a epidemia nessas nações. No México, programas de aconselhamento-parceiro fazem com que jovens conversem e sejam educados por jovens sobre saúde sexual, melhorando a comunicação entre as gerações sobre a sexualidade e planejamento familiar.

· Promulgar e aplicar legislação firme para proteger as mulheres contra a violência.

Muitas leis nacionais não resguardam as mulheres de relacionamentos violentos ou impossibilitam processar homens por agressões, estupro e outras formas de abuso. Alguns países – México e Filipinas, por exemplo – reformaram sua legislação sobre o estupro, considerando o ato como “um crime contra a liberdade individual.” Em Belize e Malásia, leis e códigos penais foram alterados passando a considerar a violência doméstica como crime.

* Danielle Nierenberg é pesquisadora do WWI

Copyrights © 2002, WWI-Worldwatch Institute / UMA-Universidade Livre da Mata Atlântica, todos os direitos reservados.
Autorizada a reprodução total ou parcial, citando a fonte e o site www.wwiuma.org.br

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