Sustentabilidade e Construção Civil

* Deborah Munhoz & Fernanda Coelho
 
Green-Door
Artigo publicado na Revista Obras On Line, Edição de Dezembro de 2008.
Recentemente, a Câmara da Indústria da Construção em Minas Gerais lançou o “Guia de Sustentabilidade na Construção”, o que marcou a entrada do setor na busca por formas mais equilibradas de empreender. Segundo o Prof. Vanderley M. John, do Depto. de Engenharia Civil da USP, a Construção Civil consome cerca de 70% dos recursos naturais extraídos da Terra, sendo uma das atividades menos sustentáveis do planeta.
Para compreender esse conceito é necessário conhecer as relações estabelecidas em um ecossistema segundo os chamados princípios ecológicos. A sustentabilidade significa a capacidade de um ecossistema natural se manter ao longo do tempo. É uma propriedade que emerge a partir da complexa interação de diversos seres vivos entre si e com o ar, solo, água e energia, em um planeta de recursos finitos. A cidade é considerada um ecossistema incompleto e caracterizada por elementos que se relacionam e evoluem conjuntamente ao longo do tempo, consumindo enormes quantidades de matérias primas e energia dos demais ecossistemas naturais.
Toda edificação de uma cidade faz parte de uma teia, de um contexto, de uma história. Todo produto usado na sua construção tem um ciclo de vida específico, relacionado a outros. Uma edificação nunca está só. Ela está impactando e sendo impactada pelo ambiente social, cultural, econômico e interagindo com as forças da natureza. Sendo assim, não é possível que uma construção, sozinha, seja sustentável.
As edificações de uma época refletem os valores predominantes de sua cultura.O espaço construído é marcado por relações de interdependência entre diferentes elos de sua cadeia produtiva distribuídos em diferentes localidades. Nesse contexto, a cultura de consumidores que priorizam a estética tem grande influência sobre a demanda de projetos construtivos que não adotam a sustentabilidade como valor essencial. Podemos citar o uso excessivo do vidro em fachadas, como alternativa estética, desconsiderando seu mau desempenho como isolante térmico, o que gera altas demandas energéticas devido ao constante uso de ar condicionado.
Alguns profissionais procuram, através de inovação, resgatar a harmonia entre estética, conforto (térmico, lumínico, acústico, ergonômico) e as questões climáticas, cada vez mais críticas no ambiente urbano. Encontram, porém, grande dificuldade na aceitação destes projetos. A ilusão de uma economia a curto prazo tem maior apelo do que as perdas econômicas e de qualidade de vida à médio e longo prazos.
Considerando os desafios ambientais deste novo século e ainda os fortes problemas sociais do Brasil, o país necessita de iniciativas como o BED ZED (Beddington Zero Energy Development), localizado em Wallignton, ao sul de Londres.
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Telhados do BED ZED
O bairro ecológico, desenvolvido pelo arquiteto Bill Dunster, proporcina um modo de vida sustentável, sem sacrificar o estilo urbano. A integração das unidades habitacionais com áreas de trabalho no mesmo empreendimento, a proximidade do transporte público e o clube de compartilhamento de carros oferece aos residentes a oportunidade de reduzir o seu uso.Além disso, a adoção de sistemas passivos de climatização e iluminação, a geração de energia a partir de painéis fotovoltaicos, o tratamento e reaproveitamento das águas e o desenho em harmonia com o clima e entorno garantem a máxima eficiência na utilização dos recursos energéticos e materiais. Além disso, combinam atração e conforto superiores, com custo operacional mais baixo.De acordo com o físico Fritoj Capra, a sustentabilidade das comunidades humanas surge como conseqüência da nossa capacidade de entender os princípios ecológicos e viver em conformidade com eles. Dentro do universo da construção civil, implica na adoção de projetos e produtos arquitetônicos que levem à concepção de cidades sustentáveis. Uma mudança qualitativa dos novos empreendimentos deve surgir em função de iniciativas como a “etiquetagem” dos edifícios.O Brasil lançou em 2007 a “Regulamentação para Etiquetagem Voluntária do Nível de Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos”, uma iniciativa do Programa Procel EDIFICA em convênio formado com a Eletrobrás. Atualmente voluntária, passará a ser obrigatória até 2012. Também se faz estratégica a educação dos compradores (empresas ou pessoas), uma vez que, através de suas escolhas e preferências, são co-responsáveis pelas características da construção. Nesse novo cenário, consumidores devem saber que, conforme sua escolha, sua edificação pode ser um passivo ou um ativo ambiental.
Sobre as autoras do artigo: 
Deborah Munhoz – Química, Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela UFMG. Consultora e Coach em Gestão da Qualidade de Vida e Sustentabilidade.
E-mail: deborahmunhoz@gmail.comFernanda Coelho – Arquiteta e Urbanista, especialista em Conforto e Edificações Sustentáveis pela UGF. E-mail: fernandafmcoelho@gmail.com

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