Vulnerabilidade às Mudanças Climáticas

* Deborah Munhoz

Folhas-Ceu

Como citar este artigo:

MUNHOZ,  Deborah. Vulnerabilidade às Mudanças Climáticas. CRQ-MG Edição  Especial do Cinquetenário 1957 – 2007, Belo Horizonte, p. 22 e 23

O presente artigo busca provocar a reflexão sobre nossa vulnerabilidade às mudanças climáticas e sobre o papel dos profissionais da Química no processo de adaptação da humanidade ao novo cenário climático. Com a assinatura do Protocolo de Quioto e, mais recentemente,  a divulgação dos relatórios do Painel Intergovernamental em Mudança do Clima – IPCC, a temática das mudanças climáticas e os mecanismos de desenvolvimento limpo passaram a ter  mais espaço na mídia.

Assim como qualquer problema ambiental, essa temática possui várias perspectivas. Num olhar fragmentado sobre o tema, corremos o risco de  fixar demasiadamente os olhos na questão da venda e compra dos créditos de carbono. Podemos  esquecer de contabilizar e nos  prepararmos para  resolver problemas sócio-ambientais e econômicos relacionados a nossa própria vulnerabilidade  às mudanças climáticas. O tripé da sustentabilidade está ameaçado e o momento de nos prepararmos para dar respostas a esses problemas é agora.

A vulnerabilidade pode ser definida como a característica de uma pessoa ou grupo em termos de sua capacidade de antecipar, lidar com, resistir e recuperar-se dos impactos de um desastre climático. É algo inerente a uma população determinada e variará de acordo com suas possibilidades culturais, sociais e econômicas. Segundo o IPCC, aquele(a)s que possuem menos recursos serão o(a)s que mais dificilmente se adaptarão e portanto são o(a)s mais vulneráveis. Sabe-se que uma das conseqüências das mudanças no clima será o aumento da  incidência de doenças tais como dengue, malária, hepatite A, cólera, diarréia, leptospirose.

A desnutrição também aumentará, como conseqüência da redução da oferta de alimentos. Espera-se também mudança nos padrões de alergia e doenças respiratórias. Haverá cada vez mais refugiados provenientes das áreas afetadas. Quais estados no Brasil e quais países no mundo irão  receber o(a)s refugiado(a)s do clima? Como nos adaptaremos como cidadãos às conseqüências da perda e/ou acesso à biodiversidade e, consequentemente à redução da disponibilidade das plantas medicinais, produtividade da agricultura, afetando a segurança alimentar? A capacidade de adaptação de uma população está ligada a sua riqueza, tecnologia, educação, informação, habilidades, infraestrutura, acesso a recursos e capacidade de gestão.

Como nós, profissionais da Química, estamos contribuindo para a redução da vulnerabilidade e para  a adaptação das pessoas a esses desafios? Como as políticas públicas estão abordando essa questão e como o(a)s quimico(a)s estão influenciando tais políticas?

Como lembra Jared Diamond, em seu livro “Colapso”, na raiz de todo problema ambiental existe uma questão política. A carência de lideranças com cultura ambiental nos espaços públicos ainda não é uma realidade significativa, o que nos deixa profundamente vulneráveis. As organizações públicas e privadas são constituídas por pessoas que nelas trabalham. Situações que caracterizam vulnerabilidades para as populações podem também ser consideradas como impactantes para tais organizações. De acordo com o Worldwacht Institute, só na última década do século XX, o custo econômico dos desastres naturais superou US$608 bilhões.

Assim como para populações, a vulnerabilidade é algo inerente às organizações e variará tanto de acordo com suas possibilidades culturais, sociais e econômicas quanto das populações nas quais estão inseridas.  Reduzir nossa vulnerabilidade como ser humano implica em última instância em agirmos levando a dimensão ecológica e questão climática em consideração nas tomadas de decisões pessoais e profissionais. Do ecodesign de moléculas ao cuidado com a família, qual será sua contribuição?

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